PRONOMES – DEMONSTRATIVOS

VARIÁVEIS

  • Este(a) – Estunga ou Este
  • Esse(a) – Acunga
  • Aquele(a) – Acunga ou Aquêle
  • Outro(a) – Otrunga ou Ôtro
    • O plural usa-se acrecentando ao pronome a palavra quanto. Assim temos:
      • Estunga-quanto – Estes(as)
      • Acunga-quanto – Esses(as) e Aqueles(as)
      • Otrunga-quanto – Outros(as)
  • O(a) que – Acunga qui
    • Os(as) – Quim
  • mesmo(a), mesmos(as) – onçom, mesmo ou igual

Exemplos:

Êle jâ botâ acunga-quanto sapato-sapato na estunga armário (ele colocou aqueles sapatos neste armário);

Acunga-quanto pêsse-pêsse sâm di estunga pescadô (Esses peixes são deste pescador)

Nano jâ levâ su família vai pa otrunga vánda (Nano levou a sua família para outro lado);

Iou onçom uví êle falâ (eu mesmo ouvi-o falar)

Êle tem mesmo aqui (ele está mesmo aqui)

Corê co aguâ nom sâm igual (correr e voar não é o mesmo)

INVARIÁVEIS

Os promones em Português isto, isso e aquilo, normalmente não se empregam. Todavia em certas situações empregam-se no sentido de “esta coisa” ou “aquela coisa”. Assim temos:

  • IstoEstunga ancusa
  • Isso ou Aquilo – Acunga ancusa

Exemplos:

Estunga ancusa sâm fêo (Isto é feio)

Acunga ancusa sâm bom pa saúdi (Isso é bom para a saúde)

Acunga ancusa sâm salgado (Aquilo é salgado)

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VERBOS MAQUISTAS

Os verbos em Patuá derivam, em regra:

a)    do infinito dos verbos portugueses, suprimindo-se r final.

b)    do infinito dos verbos de origem diversa, como a malaia – v.g. chubí (beliscar), chipí (apalpar), a cantonense v.g. vangueâ (desmaiar);

c)      de formas de conjugação correspondentes à terceira pessoa do singular ou plural dos verbos portugueses. Assim, como o verbo sâm (ser), tem (ter, haver, estar em), pódi (poder), vivo (viver), sábi (saber)

A sua conjugação é invariável, partindo da forma orginal do verbo em causa, tal como acontece na língua chinesa ou na grande maioria dos verbos ingleses.

Assim temos,

Iou andâ; Vôs andâ; Êle andâ, …etc.

Iou querê; Vôs querê; Êle querê…etc.

Iou chipí; Vôs chipí; Êle chipí… etc.

O TEMPO DO VERBOS

A conjugação dos verbos no seu tempo em regra não oferece dificuldades.

  • O Presente do indicativo conjuga-se com a forma do infinito do verbo sem quaqluer outro acrecento. Assim:

–       Iou vai casa – Eu vou para casa

–       Hôze tem festa! – Hoje há festa!

O presente contínuo usa-se antepondo a partícula ta ao verbo em causa. Muitas vezes porém, conforme o contexto da sua utlização, confunde-se com o presente do indicativo:

–       Iou ta vai iscóla – Estou a ir para  a escola ou Vou à escola.

–       Ta vem-ia! – Estou a vir (venho!).

  • O Passado (pretérito perfeito) conjuga-se antepondo ao verbo  a partícula . Assim:

–       Iou vai casa – Eu fui para casa.

–       Ónte tem festa! – Ontem houve festa!

A forma do Pretérito Imperfeito é contextual, ora utlizando-se como no Presente, ora como no Passado.

                     –    Ónte quelóra iou sai casa … – Ontem, quando saía de casa…

                    – Na tempo antigo, casa-casa de Macau sâm más grande –Antigamente as casas de Macau eram maiores.

  • O Futuro conjuga-se antecipando o verbo com a palavra logo. Assim,

–       Iou lôgo vai casa – Eu irei para casa.

–       Amanhâm lôgo tem festa! – Amanhã haverá festa!

No Patuá, os verbos básicos:

SÂM (SÃ)

Derivado de “São” a terceira pessoa do plural do verbo Ser.

Iou sâm  (eu sou)

Vôs sâm (tu és/você é)

Ele sâm (ele/ela é)

Nos sâm (nós somos)

Vosotro sâm (vós sois)

Ilotro sâm (eles/elas são)

TÊM

No sentido de Ter (possuir)

           – Iou tem unga casa (tenho uma casa); Ilotro tem festa pa vai (eles têm uma festa para irem);  Chico tem sapeca para comprâ sôm (O Chico tem dinheiro para as compras).

No sentido de Haver (existir)

          – Na Macau tem gente di tudo laia (Há gente de todo género em Macau); Tem quanto dia iou nunca vai olâ fita (Há quanto tempo que não ia ao cinema)

          – Tem dia qui tá chovê, tem dia qui tá sol qui falâ basta! – Há dias que chove, há dias que faz sol até dizer chega!

 

No sentido de Estar (em)

          – Vôs tem na úndi?(onde estás?);  Ele tem na vánda di Taipa (ele está na Taipa) ; tem quanto ano-ano qui ele tem na Saiong, vivo nali-vánda (Há muitos anos que ele se encontra em Portugal, a morar lá).

TONICIDADE DAS PALAVRAS

As palavras em Patuá obedecem em regra a tónica à portuguesa. Como é consabido, as palavras em Português dividem-se em oxítonas (agudas), paroxítonas (graves) e proparoxítonas (esdrúxulas), consonante a posição do acento tónico, respectivamente, na última, na penúltima ou na antepenúltima sílaba.

Assim, temos casar (aguda), completo (grave) e mara (esdrúxula). Em geral, perante a sílaba tónica, as restantes cedem e deixam-se absorver por ela. Por exemplo, a palavra portuguesa comer , a primeira sílaba praticamente não se pronuncia.

Contudo, no Patuá acontece algo diferente. Em geral, a primeira sílaba átona é pronunciada de modo intenso ou aberto, apesar de não ser a tónica. Por exemplo, a palavra co (comer), não obstante o acento no mê, pronuncia-se có-mê . O mesmo acontece com falâ (fá-lâ), andâ (án-dâ), cachôro (Ká-chô-ro), maquista (má-kís-ta), chapado (tjá-pá-do).

Exemplos:

Comê

 

Falâ

 

Andâ

 

Cachôro

 

Maquista

 

Maquita chapado

 

FAMÍLIA E PARENTESCO

As designações macaístas para as relações de família e de parentesco são próximas das do Português padrão, em alguns casos com nítida influência do cantonense.

Pâi (Papá, Pápi) – Pai

Mâi (Mamá, Mámi) – Mãe

Pai-mai (ou Papá-mamá ou Pápi-Mámi) Pais

Avô-Pai ou Avô-cong – Avô

Avô-mai ou Avô-Pó – Avó

Irmám/irmâ Irmão novo

Máno/Mána – Irmão(ã) mais velho(a)

Irmandadi Irmãos; irmandade

Tio (A-tio) – Tio

Tia (Tití, Títi) Tia

Primo/Prima

Primázia – Primos

Filo/fila Filho/filha

Filo-filo/a Filhos

Siára ou mulé Esposa; Mulher

Marido

Catravada Conjunto de pessoas, geralmente da mesma família ou ligadas por afinidade.

PRONOMES – POSSESSIVOS

A ideia de posse é expressa simplesmente com a partícula –sa ou –sua. No entanto na terceira pessoa do singular, usa-se ainda su. Exemplificando:

Iou-sa(-sua) ou minha – Meu

Vôs-sa(-sua) ou vôsso – Teu

Ele-sa(-sua) ou Su  – Seu

Nôs-sa(-sua) ou nôsso – Nosso

Vosôtro-sa(-sua) – Vosso

 Ilotro-sa(-sua) – Seus

 

Iou-sua pâi (o meu pai) – Vôs-sa caréta (o teu carro) – Su chéfi (o seu chefe)

Nôsso gente (a nossa gente) – Vosotro-sa casa-casa (as vossas casas) – Ilotro-sua filo-filo (os seus filhos).

Nota: Creio que a utilização da forma “minha” se faz num contexto especial, não apenas como expressão de mera posse sobre certo objecto, mas especialmente como manifestação de afecto ou de certo estado emotivo, como acontece nas formas introdutórias de uma carta ou mensagem, onde em português se diria “Minha querida Tia”, em inglês “Dear Cousin”; ou como reacção emocional a uma má notícia.

Exemplificando:

Minha Béba, como tá vai?”

Vai-na, minha istupôr!

PRONOMES – PESSOAIS

Eu – IOU (ou IEU)

Tu/Você –VÔS

Ele/Ela – ÊLE

Nós – NÔS

Vós – VOSOTRO

Eles – ILOTRO ( ou ELÔTRO ou OLÔTRO)

Ex: Iou  vai iscóla co vôs  – Vôs querê brincâ co iou? – Êle sâm quim?

Nôs vai  juntado co vosôtro Vosôtro azinha vem! – Elôtro sâm genti di Sant’António!

Vôs como segunda pessoa do singular justifica-se por ser derivado de você em português. Em Macau, até os dias de hoje é habitual ouvir-se o Macaense a utilizar Tu e Você  sem a distinção que encontramos no Português.

Nota: Tem sido discutível a utilização da forma “Nosôtro” para se referir à primeira pessoa do plural, ou seja o “Nós” na língua portuguesa. Por um lado parece lógica a sua utilização no contexto do plural. Depois, possivelmente por influência do castelhano Nosotros/as, o seu emprego parece ser natural. Não discordo dessa possibilidade, todavia, a forma “nosotro” praticamente não aparece nos textos antigos, onde, ao invés, o “nôs” surge lado a lado com “vosôtro” (“nôs co vosotro…”).

Outras formas dos pronomes pessoais, como me, mim e –migo, te, -tigo, lhe, -sigo, são suprimidas. À excepção de “mim” – mi­.

A forma reflexiva emprega-se adicionando-se a palavra onçôm ou  pa onçôm. A palavra onçôm tem o significado de “só, único, próprio”, utiliza-se quando o sujeito é o único a executar a acto ou quando se refere a si mesmo.

Ex:

Iou onçôm fazê (Fi-lo sózinho)

Para o que nos interessa por ora, pa onçôm cumpre a função dessa forma forma reflexiva.

Ex:

Maria jâ comprâ unga pisente pa onçôm  (Maria comprou um presente para si)

Êle já matâ pa onçôm (ele matou-se)

FORMAS DE TRATAMENTO

São várias as formas pelas quais os Macaenses se tratam. Registei alguns que entendo ser mais típicos.

 

Cumprimento

Qui Nova! – Literalmente “qual a novidade”; “what’s new” em inglês.

Vôs tá bom? – Está bom?

Vôs bom-nunca? – (idem)

Como tá vai? – Como está? (em inglês “How it goes?”)

Pai (ou Mai) tá bom? – Como está o pai (mãe)?

Bom, obigado – Bem, obrigado.

Bôm-dia Bom dia.

Bô-tarde – Boa tarde.

Bô-nôte! – Boa noite (Ingl. “good evening”)

Bôm-sôno – Boa noite (Ingl. “good night”)

Bô-festa – Boas Festas!

Bôm-Páscua – Boa Páscoa!

Filiz Natal – Feliz Natal

Filiz-áno – Feliz Ano (Novo)

Saúdi! – Saúde!

Parabém! – Parabéns!

 

Despedida

Adiós! – Adeus!

Vai casa-ia! – Vou para casa!

Tá-vai-ia! – Vou-me embora!

Dâ-lembrança pa… – Cumprimentos a …

Ung’a ucho – Beijinho!

 

Exemplos:

– Qui nova, vôs tá bom?

– Iou, bom obigado! Pâi tá bom?

– Tamém bom. Iou vai casa-ia, bô-festa!

– Bô festa, dâ lembrança pa pai-mai!

– Saúdi!